Carol, de Patricia Highsmith: um romance lésbico publicado nos anos cinquenta


Eu conheci Carol por causa do sucesso da adaptação para o cinema. Quando soube que aquele filme era adaptado de um livro dos anos cinquenta, achei fantástico e fui atrás dele mesmo sem ter assistido o filme: quis ler o livro antes de qualquer coisa.

Carol é um romance escrito por Patricia Highsmith e publicado em meados dos anos 1950. Na história conhecemos Therese Belivet, uma moça de dezenove anos que sonha em ser cenógrafa no teatro mas trabalha numa loja de departamentos, no setor de bonecas, para poder pagar as contas. Therese namora Richard e leva uma vida monótona até conhecer Carol na loja em que trabalha - uma mulher mais velha, com uma filha e em processo de divórcio, por quem Therese imediatamente começa a apaixonar-se.


O livro foi publicado sob o pseudônimo de Claire Morgan pelo contexto extremamente conservador e preconceituoso da época. Ainda assim, Carol foi um grande sucesso de vendas. 

O livro é narrado em primeira pessoa por Therese, e assim nos sentimos próximos a personagem enquanto desvendamos seus sentimentos, angústias e descobertas. Ao mesmo tempo, é fácil identificar-se com Therese e todo o contexto da personagem: o namoro infeliz, o emprego que ela detesta, o sonho de carreira que as vezes parece tão longe, a vontade de largar tudo e simplesmente sair por aí. Ao mesmo tempo, Carol é tão misteriosa para o leitor quanto o é para Therese - vislumbramos pouco dela, e o mistério parece atiçar a curiosidade. 

A narrativa é um pouco lenta em alguns momentos, mas nada que prejudique o livro seriamente. Os diálogos entre os personagens são um dos pontos altos, e várias passagens são realmente muito bonitas e poéticas.


Carol consegue fugir aos clichês de romances lésbicos e dizer bastante nas entrelinhas, além de ter um final interessante e inesperado. Pensar sobre essa história é pensar em todo o contexto dos anos cinquenta e em como foi revolucionário ter um livro sobre um romance entre duas mulheres que não o mostrasse de forma pejorativa ou patológica. Carol é um livro singelo, uma história talvez até bobinha, mas que carrega consigo uma representatividade muito forte - no final das 300 páginas de história, temos, inclusive, a autora contando sobre as inúmeras cartas que recebeu após a publicação, de mulheres que leram Carol e se sentiram felizes por serem representadas e saberem que não estavam sozinhas. No fim das contas, já são motivos mais do que suficientes para pensar em dar uma chance à essa grande obra, né? :)

10 comentários:

  1. Eu assisti esse filme indo viajar pra Polônia e gostei muito da história.
    Não sabia que era um livro lançado nos anos 50. Imagina que louco essa história naquela época??
    Bem bacana seu post.

    https://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

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    1. Oi! Pois é, o filme é baseado no livro. É um filme bem interessante também, mas confesso que gostei bem mais do livro.
      beijos

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  2. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas fiquei bastante interessada . Confesso que só tive contato com romance lésbico através de contos , então acho que este será uma boa porta de entrada.
    É muito mais comum ver histórias sobre garotos, não é?

    Beijos

    letologia.blogspot.com.br

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    1. Oi Eva! Eu também. Pois é, ainda que também não sejam tão comuns, livros de temática gay tem um pouquinho mais de destaque - como os do David Levithan, por exemplo.
      beijos

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  3. Posso dizer que você me fez chorar lágrimas agora? Eu quero muito assistir ao filme, inclusive está ali anotado e bonitinho para que eu me lembre de assisti-lo, mas acabei de descobrir que é uma obra literária, então terei que ler o livro primeiro antes de assistir. O.O
    Eu sinceramente, perco um pouco de vontade quando assisto ao filme primeiro antes de ler o livro. Mas, retornando ao Carol (ela me representa, saca-só o nome!), eu agora quero muito lê-lo. Acho que vou passa-lo na frente de alguns tantos que tenho para ler.

    Até mais Bruna! O/
    https://j-informal.blogspot.com.br/

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    1. Oi Karol! hahaha fico feliz que servi pra alguma coisa, é sempre bom ler a obra antes de assistir o filme inspirado, né? E vou te dizer que o filme é lindo, mas o livro é bem mais sensível e emocionante.
      beijos

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  4. Eu tinha visto só promoções do filme e pela capa nem imaginava que se tratava de um romance lésbico! Parece bem interessante.

    Adorei a indicação, já vai pra wishlist, rs

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    1. Oi Ju! Pois é, a capa não entrega muito da história não. O livro é realmente muito bom.
      beijos

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  5. Oi, Bru!
    Saber da existência do livro me deu na verdade mais vontade ainda de assistir o filme!
    Vou deixar aqui na minha lista e em breve vou assistir! Quanto ao livro, infelizmente ainda não tá rolando comprar porque tô focando em comprar as brusinhas, mas também já adicionei na minha lista de livros pra ler/ter/comprar, etc.
    Obrigada pela indicação, Bru!
    Beijão!

    www.vultuspersefone.blogspot.com

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    1. Oi Rafa! hahaha te entendo, as vezes a gente tem que mudar o foco das prioridades mesmo. O filme é bem interessante, mas achei que o romance delas pareceu um pouco frio no filme, no livro é bem mais intenso.
      beijos

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