Pioneers of African-American Cinema: pioneirismo e representatividade negra na Netflix


A coletânea Pioneers of African-American Cinema (que em tradução livre seria pioneiros do cinema afro-americano) reune vinte e três obras entre longas e curtas dirigidos por pessoas negras no período entre 1918 e 1946. São obras pioneiras de grande valor histórico, muitas tendo passado por um processo de restauração para que seja possível assisti-las hoje. A Netflix disponibilizou essa coletânea, tornando o acesso muito mais fácil - apesar disso, poucos tem conhecimento de que essas obras estão disponíveis. 

Os filmes e curtas do catálogo são: Trem Para o Inferno (1930), O Sangue de Jesus (1931), Veredito: Inocente (1934), A Caminho do Céu (1934), O Símbolo dos Resistentes: Uma História da Ku Klux Klan (1920), Dois Cavaleiros do Teatro de Variedades (1918), A Múmia Resmungou (1918), Direito Inato (1939), Aristocratas Velados (1932), Nos Limites dos Portões (1920), A Garota de Chicago (1932), Dez Noites Num Bar (1926), Teatro de Revista (1931), Às dos Céus (1928), Onze da Noite (1928), Dirty Gertie do Harlem (1946), Um Vagabundo Descuidado (1918), Corpo e Alma (1925), Marca da Vergonha (1929), Vaqueiro de Bronze (1939), Exilado (1931) e Dez Minutos de Vida (1932). Essa lista do Filmow reúne todos os filmes e curtas que aparecem na coletânea. 


A maior parte dos filmes encontra-se dentro do gênero drama, mas alguns passam pela comédia e pelo romance, além dos filmes de cunho religioso. É claro que algumas obras não são tão boas ou ficaram completamente datadas - como é o caso de Trem para o Inferno, filme gospel cuja mensagem não poderia ser endossada hoje nem pelos fanáticos religiosos mais fervorosos: até ouvir jazz é considerado pecado no filme - mas muitos outros são grandiosos e é uma experiência incrível assisti-los, muito além do valor histórico. Importante citar que muitos filmes da coletânea são dirigidos por Oscar Micheaux, um grande cineasta e absolutamente um pioneiro no cinema afro-americano, com grandes filmes em seu currículo e temáticas de cunho etnico/racial sempre discutidas em suas obras. 

São de Oscar Micheaux os seguintes títulos da coletânea: O Símbolo dos Resistentes: Uma História da Ku Klux Klan, Direito Inato, Aristocratas Velados, Nos Limites dos Portões, A Garota de Chicago, Teatro de Revista, Corpo e Alma, Exilado e Dez Minutos de Vida. Meus favoritos da coletânea acabaram sempre sendo os desse diretor, o que me chamou muito a atenção para a história dele. 


Meus favoritos são três: O Símbolo dos Resistentes: Uma História da Ku Klux Klan (1920), Direito Inato (1939) e Aristocratas Velados (1932). De um modo geral, quase todas as obras da coletânea abordam assuntos muito pertinentes ainda hoje. São abordadas temáticas como a valorização da cultura negra, orgulho das raízes, relacionamentos interraciais e obviamente o racismo. 

Todos os filmes e curtas são em preto e branco, alguns mudos e outros falados. É muito interessante perceber também, nos filmes do início dos anos 1930, elementos que marcam a transição do cinema mudo para o falado. 


O valor histórico dessa coletânea é imenso e não apenas isso: muitos filmes são realmente ótimos e levantam assuntos extremamente importantes. Também são um bom instrumento para compreender a mentalidade da época (anos 10 até anos 40) e ouvir histórias contadas por um ângulo que na grande mídia nunca aparecia. 

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